17 dez 2015 , por

Pérola Negra

Um casamento em que marido e mulher não têm a mesma definição do que é o sexo é a base para a crônica homônima ao clássico Pérola Negra, de Luiz Melodia
— Sexo.

— Como assim, Mirian? Sexo? — questionou o marido, mostrando-se muito surpreso com a resposta que obtivera.

— Isso mesmo — completou a esposa, levemente arqueando as sobrancelhas — Meu problema é esse, escute bem, para que não restem dúvidas: sexo!

— Mas não pode ser... Transamos quase todos os dias. O que quer de mim? Que eu seja uma máquina?

— Não Edney, de jeito nenhum. Eu nunca te pediria isso. O que eu quero é outra coisa.

— Então diga, mulher!

— Quero que largue mão de ser frouxo! Ouviu? Frouxo! — repetiu Mirian, com bastante ênfase em cada sílaba.

O marido olhou para todos os lados, tentando encontrar [...]

19 jul 2015 , por

Roberto, corta essa

Um encontro daqueles que não encontramos explicação a não ser coisa do destino, "Roberto, corta essa" é crônica homônima à música de Jorge Ben
— O que foi playboy? Prefere morrer do que entregar o anel?

Roberto ficou paralisado. Não, paralisado não é o melhor adjetivo, indeciso é muito mais representativa. Era como se o tempo tivesse entrado em uma espécie de câmera lenta, e naqueles instantes que pareciam ser anos. A dúvida o consumia.

Morrer ali, pelas mãos do criminoso à sua frente, parecia não ser uma hipótese tão ruim quando comparada ao que sofreria nas mãos de Aletéia, sua esposa.

Enquanto tentava decidir seu destino, Roberto tecia conjecturas de como seria sua morte. Se o ladrão atirasse direito poderia não sofrer muito, uma morte rápida, quase indolor. Porém, o tremor visível das mãos do sujeito indicava um nervosismo que [...]

11 jun 2015 , por

O livro do “Naquela Mesa” está nas lojas!

Compre o "Naquela Mesa" na versão impressa ou digital na iTunes, Amazon ou Perse. Crônicas misturadas com MPB e Bossa Nova, por Marcelo Vitorino.
Livro Naquela Mesa - Histórias contadas na mesa de um bar - Crônicas misturadas com clássicos da Bossa Nova e da MPB - CapaDepois uma saga que parecia sem fim, um período de muita expectativa com momentos dramáticos, o livro do “Naquela Mesa” está pronto e à disposição em duas versões:

DigitaliBooks Apple Store, Amazon (Brasileira), Amazon (Internacional)

ImpressaPerse (Brasileira), Amazon (Internacional)

Para quem não sabe, no final de 2013 fiz um projeto de crowdfunding para ajudar a arcar com os custos de transformar as crônicas publicadas em livro. Em um mês consegui arrecadar o [...]

20 maio 2015 , por

Tigresa

Uma mulher com pouca fé nos relacionamentos se depara com uma situação nova. Crônica inspirada no clássico da MPB, Tigresa, composição de Caetano Veloso.
Com a pele ainda arrepiada, Maria se pôs a olhar para a janela, que semiaberta deixava entrar um pouco de claridade no quarto. O frio do dia que amanhecia fazia par com o leve sereno, pós uma noite de chuva intensa.

Depois de alguns segundos com o olhar perdido, a umidade do lençol a trouxe de volta. Ter novamente alguém na sua cama era gostoso, mas ao mesmo tempo estranho. Já havia se passado quase um ano desde o último.

O cheiro do sexo que impregnou o quarto quase podia ser tocado de tão denso. Travesseiros, coitados, arremessados pelos cantos do quarto, testemunharam uma noite longa.

Ao olhar para o lado, riu, discretamente, com o contraste entre [...]
Em: Crônicas,MPB | Tags:

20 mar 2015 , por

Roda Viva

Renúncia, suicídio, impeachment ou a verdade: qual a escolha de uma presidente diante de denúncias. Crônica inspirada em "Roda Viva", de Chico Buarque
Em todo salão presidencial podia se ouvir o roncar de uma pulga, de tão silencioso que estava. Silêncio que foi estrondosamente rompido por palavras ditas em voz alta e que colocaram o porta-voz em pânico:

— Dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história!

— O que é isso presidente, ficou louca? — questionou o esbaforido assessor ao se aproximar da mesa.

— Não é nada não, meu filho. Se acalme. É só um texto que deixaram aqui e que estava lendo. Escreve muito bem esse tal de Getúlio, não acha?

— Como assim? — perguntou indignado.

— Deixa para lá, Tom! Bobagem minha! Coisa de mulher. [...]